sexta-feira, 20 de maio de 2011

Para quê você quer uma poesia?

Poesia útil
Jacqueline Collodo Gomes

Você quer uma poesia útil?
Você quer uma poesia clichê?
Para quê você quer uma poesia?

Para falar bonito?
Para rimar, e a rima encantar?
Ou quer o que ela realmente tem a dizer?

Você quer uma poesia de ostentação?
Você quer uma poesia de parecer?
Então você não entende o que a poesia precisa ser.

Porque você não quer uma poesia.
Você não busca uma poesia.
Apenas uma ilusória manipulação.

13/05/11, 22:46.

Quando escrevo...

Escrever
Jacqueline Collodo Gomes

Quando escrevo converso comigo mesma
Não fico pensando muito
Não importam as colocações intelectuais
Não importa o que possa importar para o seguimento das conversas paralelas
Sou admiradora de um bom papo, leve e simples
Como pluma nos braços da brisa
Como dentes-de-leão encontrando a liberdade nas asas do vento

Neste diálogo importa apenas que eu me sinta resolvida sem cobranças
Importa que eu seja sem o ser
Importa apenas que eu esteja bem
Sem que nada mais importe além de que eu me sinta leve, assim
Que tudo esteja resolvido com um riso

Sigo a ordem que o coração pede
Se a mente interfere, eles entram em acordo
Pois para qualquer assunto tentam manter um diálogo de paz
E finalizo uma estrofe, assino a última palavra do verso
Para iniciar outra conversa num outro espaço do papel.             

13/05/11, 23:13

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Eu já fui lá, e já voltei...

Questionando os motivos
Jacqueline Collodo Gomes

Do sujeito que perguntou se já fui lá:
Eu já fui lá, e já voltei
E não é como contam as fábulas
Veja as marcas dos pés que se arrastaram para voltar

Eu já fui às nuvens, e dei às tempestades
Já fui ao dourado do dia, e dei à escuridão da tristeza
Você não há de o querer conhecer
Fique, e sonhe com outro lugar

Eu entendi, e estou pondo os pés onde a vida me possa firmar
Onde as dunas não são traiçoeiras
Onde há flores para perfumar o ar ao meu redor
Porque as flores, ah, sim, as flores são essenciais

A caminhada não é fácil, meu amigo
E aquele caminho me levou para um árduo deserto
Era tudo pó
E eu, resquício de vida

Eu já fui lá, e já voltei
Despedacei as molduras dos sustos
Travo a batalha do virar a página
Teço minhas poesias do profundo

Agora eu só quero o que me possa encantar.

13/05/11, 22:55

Quem sou, como sou

Pauta
Jacqueline Collodo Gomes

Eu quero escrever algo extraordinário
Que não me faça tão extraordinária assim

Eu quero fazer o que me compete à intensidade
De como sou
Apenas, e tão simplesmente
Alguém constituído de complexo e simples
Da velha, habitual, e admirável
Da essencial excentricidade, e cumplicidade
Do ser junto, e o ser num espaço separado
Assim
Na forma extraordinariamente humana de existir

Eu quero fazer um lugar onde se cultive esta semente
E ninguém tenha vergonha de não ter uma fórmula que não existe
Um DNA não gerado
Algo fora de se ser humano

Eu quero tantas coisas! Quero-as, como as estrelas do céu!
E, por estas linhas, marco minhas pegadas
Estou tentando alcança-las
Mesmo aos olhos de quem não as vê.

13/05/11, 22:33