quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Hoje eu fiquei olhando o temporal

Temporal

Jacqueline Collodo Gomes

Hoje eu fiquei olhando o temporal.
O que é que as pessoas querem, afinal?

A gente se prepara, e gasta
pra tomar nas mãos tal vazia pasta.

Será tudo mentira? Tudo armado?
A vida se equipara - é o mercado?

E em bifes e bifes se vende sonhos.

E em bifes e bifes se dispersa sonhadores.

31/10/2012. 01:54.


Conta-gotas não faz soma - alma.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Brasília sempre teve tons de cinza...

Minha Poesia para o concurso "Brasília é uma Festa" 2012, infelizmente não selecionada entre as premiadas.


Brasília Vizinhança

- Jacqueline Collodo Gomes

Brasília sempre teve tons de cinza
nas aquarelas de minha mente de criança
que imaginava também os imponentes prédios
com seus vidros refletindo a vizinhança
crescendo ao redor, inerte aos assuntos de gabinete,
preocupada em afazeres e andanças.

- Brasilienses colorindo a séria vista
e às sisudas figuras imponentes depositando verde esperança.

domingo, 28 de outubro de 2012

...da conversa à calçada sem o contar de instantes...














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Anúncio Ambulante

- Jacqueline Collodo Gomes

E o anúncio ambulante pedindo
alguém para sentar à calçada, de Domingo
no fim do dia, na entrada da madrugada...

A tecnologia das almas desconectadas
- umas das outras, e do momento importante
da conversa à calçada sem o contar de instantes.

Segurar nos olhos as cores vibrantes
das palavras trocadas, da alegria somada
que serena mentes e esvazia das dores.

28/10/2012. 00:59.

Chame pessoas para conversarem sentados à calçada. Sem pressa, sem pressão. As pessoas quase não fazem mais isso...

sábado, 27 de outubro de 2012

Morar em sobrado é...

Nota

Jacqueline Collodo Gomes

Morar em sobrado é
perceber, quando se está cansado
o quanto a parte de cima da casa
fica longe da parte debaixo.
Degrau. Degrau. Degrau...

Até subir escada vira reflexão.

02:21. 27/10/2012.

Clique para ver

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Depois dos formados arabescos


















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Formados Arabescos

Jacqueline Collodo Gomes

Depois dos formados arabescos
em que você dá às mãos com o outro lado da volta e a forma
fica a integridade que atravessou os borrões
e conseguiu deixar um desenho limpo.

De tudo o que for ditado
se feio, torto e que instigue reação
esta marca é o que mostra a realidade de intenção.

01:53. 25/10/2012.

...mas neste canto de cesta



















Image from: sxc.hu

Trabalhadas palhas entrelaçadas

Jacqueline Collodo Gomes

Talvez eu não seja o detalhe da tela
em que mais os pinceis se dediquem em ressaltar
mas neste canto de cesta - trabalhadas palhas entrelaçadas
desenhando-me pernas, tronco, mente e coração
cuido uma cama de nuvens para o pousar de olhos sinceros
que tragam a verdade por veios, por terras, por mãos.

01:59, 25/10/2012.

(Clique para ver)

domingo, 21 de outubro de 2012

Eu tentei. Para além de mim mesma.














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Eu tentei. Para além de mim mesma.

Jacqueline Collodo Gomes

Eu tentei. Para além de mim mesma.
Fiz mal propaganda de mim.
Disse coisas que não soube remediar.
Tentei despistar as mordidas internas.
Achei que este amor me pudesse ajudar.
Fui negligente com o que podia ter aceitado.
Descuidei-me completamente no engano do cuidado.
Não fui para lugar algum. Não fui o que sou.
Feri-me muito e fiz ferir também.
Ignorei a estranheza sentida. A incômoda lida.
Achei que era questão de me acostumar.
Menti para mim mesma na ingenuidade.
Inocência de pertencer pelas tentativas.
Não foi assim. Não é assim.
Não é só por boa vontade que se decide.
As emoções reagem.
Reflexos em que de repente não se reconhece.
Fui por onde não devia ter andado.
Deixei de me olhar.
Tudo fugiu das mãos. Instantes equivocados.
Porções de hostilidade.
Forçar de fragilidades.
Alma pela metade.
Cansaço. Exaustão.
Um olhar de claridade: Eu sou limitada.
... só. Não posso mais.

03:23, 21/10/2012.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Às vezes quando te dou o meu amor...

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Quando te dou o meu amor

Às vezes quando te dou o meu amor eu não sei o que esperar. Parece tudo tão longe do seu coração... Ou sou eu que ainda estou no fundo da sala?
Às vezes quando te dou o meu amor eu só queria que você pudesse ser agradável. Que o instante pudesse ser agradável. Que a vida pudesse ser agradável. Mas já não sei, não entendo, quê você pensa dos instantes, ou se há coisa agradável nesta vida.
Às vezes quando te dou o meu amor... Eu só queria que você o recebesse, assim, com as palmas das mãos abertas... Guardasse e me fizesse cafuné. Com os olhos. Com a mão nos meus cabelos. Ser tua menina, ser tua amada, no cafuné dos olhos e do coração.

04:50, 19/10/2012.

Me diz que eu não devo chorar.
Que suas palavras são diferentes mas dizem deste mesmo gostar.
Deste mesmo gostar, assim, tão simples. E ponto.

domingo, 14 de outubro de 2012

Eu esperei que aquelas mãos ficassem menos ásperas



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Fator Veludo

Jacqueline Collodo Gomes

Eu esperei que aquelas mãos ficassem menos ásperas.
Não foi assim. Não aconteceu.

E eu não podia lhe dar mais palavras do que à ocasião convinha.
E lia isto também no olhar revidado ao meu.

Foram faixas e faixas de trechos de Shakespeare.
Final de evento, frases pensas pelo salão...

Não. As mãos não podiam ser nunca suaves
como o aveludado cetim iluminado
dono deste inocente coração.

14/10/2012, 01:17.

sábado, 13 de outubro de 2012

Eu não levo amores como troféu














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Feitos

Jacqueline Collodo Gomes

Eu não levo amores como troféu.
Não entalho nomes, não guardo altares.
Passaram-se. Foram-se.
Deixo-os ir.

Espaço tem ao que se há de convir.
Espaço só nosso.
Nada de namorinho pro olhar social.

Gabar-se de gente
é passar pelo meio dos dentes:
trabalhar de fio-dental.

06:26. 13/10/2012.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Mulher, com um mundo girando no Universo do peito













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Oceanos Inteiros

- Jacqueline Collodo Gomes

Mulher, com um mundo girando no Universo do peito
Oceanos inteiros que repaginam ermos
É o encanto da valsa
As cintilas no valsador

É quem estende o passar, quem floresce os canteiros
Tem as notas singelas e um refrão inteiro
Para vestir a nobreza que se encorajar de seu amor

Um mundo inteiro pode amar
Mas ninguém ama como a mulher que traz no peito o seu próprio mundo inteiro.

11/10/2012, 00:50.

Beba minhas entrelinhas













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Singelas Metades

- Jacqueline Collodo Gomes

Beba minhas entrelinhas.
Às vezes eu não sei me pôr em descrição.

Mas, se as janelas abertas para a verdade da minha alma te importarem mais
no encontro das linhas importantes
- as suas e as minhas
nos acharemos, então.

Eu, tua singela metade.
Você, a melodia da canção.

00:57, 11/10/2012.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

E que o sol tivesse conhecido o gelo.


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E assim, eu preferia...

- Jacqueline Collodo Gomes

Eu preferia que tivesse nevado.
E que o sol tivesse conhecido o gelo.
Eu preferia sorver todo o orvalho
colhido pacientemente em pontas de dedos.

E eu preferia ter saído de manhã sem o agasalho do frio
Passado em meio a um movimento de terra, coral e pó
Ver o floral café tomado, desconhecido, outrora
sorriso reluzindo aurora.

E eu preferia ter de tecer os mil tecidos do mundo
e unir, uma a uma, colchas, em linhas e trilhas
E que não houvessem profundos
O sondar a se conhecer, e as partilhas

Do que esta dor escarlate, descida em unhas
levando-me por dentro, acordando os vapores
pares desiludidos, filas de dores
que eu não tenho quem abrace e quem acolha.

Eu preferia nunca ter sentido nada.
Ter passado sem saber. E olhar para as vias
sem diferenciar. Aos estalados momentos
do âmago, paulatino, sem poder amar.

02/10/2012, 03:17.