sábado, 17 de novembro de 2012

Eu e uma grande, imensa, inquietação

Uma grande, imensa, inquietação

Jacqueline Collodo Gomes

Ligo o modem com cautela tentando minimizar os sons. São duas horas da manhã. Eu e uma grande, imensa, inquietação. Que o artesanato não pôde conter. Estava a rasgar meus braços por dentro, querer tirar os tecidos de sobre a pele, virar a cama de ponta-cabeça, deixar o quarto com um vão para as estrelas - sem as janelas (e janelas pra quê? num momento desse). É a tal grande, imensa, gigantesca inquietação, que esteve atrás de mim o dia todo, feito sujeito reclamão brigado com a vida, soprando, soprando pra me deixar irritada. Mas eu só continuava andando, deixando essa coisa tocar sozinha.
São questões desocupadas. Querem ralhar com a vida. Apagar traços de qualquer sorriso. Deixar a alma deprimida. 
Se eu estivesse agora em uma daquelas cidadezinhas dos filmes, em que os mocinhos podem sair para caminhar pelas ruas durante a madrugada, seguros, serenos, despreocupados, vendo as ruas sob o pano da noite, em companhia de suave brisa, eu estaria caminhando lá fora, observando as árvores e o movimento que as guia, deixando que a noite me embalasse no compasso com que coloca tudo no lugar e em harmonia.
(Já que eu não sou personagem de filme, escrever então é uma dessas cidadezinhas.)
É um momento bonito demais pra se deixar sufocar.

02:54, 17/11/2012.

2 comentários:

  1. Oi, Vim fazer uma visita e deparei com essa maravilhosa leitura, gostei muito e até me identifiquei com ela, pois essa inquietação faz parte do meu mundo.
    Bjo
    Su

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    Respostas
    1. Obrigada pela visita. Que bom que gostou.
      Abraço.

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