quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quando a Andorinha Faz Seu Ninho

Foto: Cláudia Pinheiro Camargos



Quando a Andorinha Faz Seu Ninho

Jacqueline Collodo Gomes 

As andorinhas tinham o costume de fazer ninho no forro das casas, e por um espacinho que achavam entre o telhado e o forro se espremiam, saindo e voltando em rasantes, com galhinhos e gravetos a fim de construir uma caminha confortável para sua futura prole. E assim seguia, ano após ano, em que da janela do quarto das casas podia se ver a rasante dessas aves tão pequenininhas, indo e voltando, construindo seu lar, alimentando a nossa imaginação de como já estaria ficando o ninho da família. Depois, quando os filhotinhos finalmente eram chocados, podíamos ouvir ali de dentro do quarto seus chiadinhos e piados, bem baixinho, pedindo por comida, e pelo aconchego das asas dos pais.
Mas, algumas raras vezes, ao calcular mal a entrada no ninho, algumas das andorinhas acabavam por parar dentro de casa, adentrando o quarto pelo vão da janela. E nesses momentos tínhamos que socorrê-las, pois voavam atordoadas pela casa, sem encontrar o caminho certo pra seguir. Eu me lembro de um dia em que levei um susto ao perceber uma andorinha entrar pela janela e seguir em voo reto e ligeiro, até dopar com a parede do quarto que ficava à frente, e cair no chão pela pancada. Na hora pensei o pior, e me aproximei temerosa de encontrar a avezinha morta pelo impacto e pela queda. Mas ela estava quietinha, encolhida no canto da parede e do chão, aparentemente com dor e tentando conservar suas energias até a dor diminuir. Eu a peguei com as duas mãos e a aconcheguei bem no centro das palmas, caminhando até perto da janela, e ela nem reclamou e nem relutou. Pude sentir seu corpinho tão pequenino e frágil, seus ossinhos, suas perninhas tão delicadas e fininhas, e como suas penas eram macias, fofinhas, e naturalmente acarinhavam minhas mãos. Os olhinhos bem vivos e brilhantes me encaravam, e eu fiquei completamente tocada por segurar um pedaço de existência tão profundo e bonito como aquele, bem nas palmas das minhas mãos. Passei de leve o dedo pelo biquinho dela, que tem uma característica toda especial, só das andorinhas, ao menos, pelo o que meu coração pôde notar naquela observação tão próxima da ave; ela fechou de leve os olhinhos e mexeu a cabeça um pouquinho como quem recebesse o afago como um gole de água quando a garganta está seca, bateu as asinhas enquanto posicionava as perninhas, e no impulso do voo encontrou o azul do céu, voou pra cá e pra lá, já estava bem de novo para encontrar seu caminho, deixando em minhas mãos um perfume suave de andorinha, que eu sinto até hoje.

25/09/2013, 17:29.

2 comentários:

  1. Um passarinho na mão é como segurar pétalas soltas na mão, tão delicadas, que temos a surpresa de como nossas mãos são rudes, como se fossem indignas de segurar uma flor tão delicada... mas não, as mãos que seguram as flores, lembram-se de uma beleza e delicadeza que as unem com a beleza do pássaro, suspiramos, sorrimos, e o pássaro voa, e deixa a lembrança de amor nas mãos.

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    1. Lindo comentário, Márcio!
      Venha sempre. Um abraço!

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